sábado, 25 de maio de 2013

1 -Nasce um cineclube
(as inserções são numeradas por ordem de data em que foram escritas)
 
Nesta quinta-feira, 2 de maio, fundamos o Cineclube Latinoamericano. Cerca de 20 pessoas compuseram a assembléia de fundação – e umas dez justificaram sua ausência, confirmando a intenção de se associarem na primeira oportunidade. Aprovada a pauta distribuída anteriormente, foi composta uma mesa diretora dos trabalhos.
Grande parte da reunião foi ocupada com a discussão do estatuto, previamente distribuído a todos, e que recebeu alguns aperfeiçoamentos. O modelo organizativo do cineclube é o de diretorias coordenadoras de comissões de trabalho abertas: programação, divulgação, documentação, produção, entre outras. Só há uma categoria de sócios, os contribuintes, que pagarão uma pequena taxa mensal, dando direito a algumas vantagens como ingressos gratuitos e descontos em outras atividades. O detalhamento desses procedimentos (valores, prazos, exceções, etc.) será definido num Regimento Interno a ser submetido a uma próxima assembléia. As atividades do cineclube serão abertas a todos, sócios ou não, normalmente com a cobrança de uma taxa de manutenção. Além dessa base essencial, o cineclube procurará outras receitas para a sua manutenção, frutos de suas próprias atividades ou de doações, patrocínios, etc.
Aprovado o estatuto, passou-se à discussão das linhas gerais de atuação da entidade, um programa inicial para a primeira diretoria a ser eleita em seguida. O Cineclube vai estabelecer um Termo de Cooperação com a Fundação Memorial da América Latina. Esse acordo deve facultar ao cineclube o uso do chamado Espaço-Vídeo, simpática sala com cerca de 70 lugares, e aos equipamentos de som e projeção. Excepcionalmente – em manifestações especiais – outros espaços poderão ser utilizados. Em contrapartida, o cineclube manterá uma atividade permanente e sistemática, sempre a custos bem accessíveis e centrada na divulgação, conhecimento e intercâmbio das produções audiovisuais latino-americanas. O acordo não envolve nenhum recurso financeiro das partes e o cineclube terá absoluta liberdade e autonomia na organização de suas atividades. A possibilidade, seriedade, honestidade, solidez desse acordo são garantidas inicialmente pelo fato de que o Memorial é presidido pelo cineasta João Batista de Andrade, grande e histórico parceiro do cineclubismo brasileiro e mentor desta parceria.
Além do acordo a ser celebrado com o Memorial, várias outras parcerias foram mencionadas, especialmente com os consulados latino-americanos em São Paulo – muitos já manifestaram disposição de ceder filmes – e outras entidades. Graças a alguns de seus associados, o cineclube também já tem contatos com cineclubes de praticamente toda a América Latina. Também discutiu-se as possíveis comissões de trabalho – além das indispensáveis – a serem criadas. Vale citar a de tradução e legendagem, especialmente necessária num cineclube que vai trabalhar com muitos filmes falados em espanhol. Esse trabalho, inclusive, poderá ser de uma utilidade muito maior, facilitando o acesso a esses filmes para outros cineclubes ou outras iniciativas, além de poder contribuir com a CineSud, por exemplo. Outro detalhe: além de blog e página no facebook, indispensáveis para uma comunicação mais ampla com seus associados e público, o cineclube manterá um Boletim, distribuído aos frequentadores das sessões, com notícias e comentários sobre o cineclube, o cineclubismo, o audiovisual latino-americano e, claro, os filmes em exibição. O primeiro ciclo do cineclube, que começa nesta terça, 7 de maio, terá como tema o trabalhador e suas lutas; essa programação também foi aprovada pela assembléia. Com o início das atividades públicas do cineclube começará uma campanha mais maciça de associação
Esboçado um programa inicial, passamos à eleição da Diretoria e Conselho Fiscal. O que foi um exercício quase difícil, atrapalhado por diferentes ataques de modéstia dos indicados. Mas chegamos a uma excelente composição: Presidente: Frank Ferreira; Secretário: Rafael Balseiro; Tesoureira: Dolores Stinghen; Diretora de Programação e Divulgação: Mayra Rizzo, e Diretora de Documentação e Produção: Adriana Beretta. O Conselho Fiscal tem três titulares e dois suplentes. A Diretoria e Conselho do Cineclube foram empossados e, depois das tradicionais fotos, encerrada a sessão.
O Cineclube Latino-americano deve ocupar logo um espaço destacado na trajetória do cineclubismo brasileiro, e quem sabe, latino-americano. É um cineclube que será sustentado essencialmente por seus próprios meios, ao mesmo tempo que estabelece, desde seu nascimento, uma ampla teia de relações e parcerias, mas sem comprometer sua independência. A aliança com o Memorial da América Latina, os consulados e as comunidades imigrantes de São Paulo já permite vislumbrar um trabalho extenso e com características muito próprias que, como disse, poderá beneficiar outros cineclubes, não apenas pela geração de um acervo de trabalhos e experiências, mas também pelo exemplo de organização e práticas democráticas e independentes.
No fim de semana já tem reunião da comissão de programação e divulgação. Por isso, encerro por aqui esse relato: temos muito trabalho pela frente.
Abraços,
Felipe Macedo
 
Programação de maio – sempre às terças e quintas, 20hs
Pavilhão da Criatividade do Memorial da América Latina
Metrô Barra Funda
 
07/05, terça-feira
 A COMUNA
Curta-metragem produzido na França 1914 pela Cooperativa do Cinema do Povo (primeiro cineclube da história). Trata-se de um importante documento histórico e uma iniciação à trajetória do cineclubismo.
A NÓS A LIBERDADE (A Nous la Liberté), de René Clair, 1931
Comédia clássica que inspirou “Tempos Modernos” de Charles Chaplin.
Louis e Émile fogem da prisão. Anos depois, se reencontram e Louis se tornou dono de uma fábrica enquanto o outro continuou a ser um vagabundo. Tenta ajudá-lo, mas diante da pressão e chantagem de antigos colegas de prisão toma uma decisão radical.
 
09/05 , quinta-feira
A QUEM PERTENCE O MUNDO? (Kuhle Wampe) de Bertold Brech, 1932
Um precioso documento histórico que foi produzido por Brecht dentro e para o movimento operário.
 
14/05, terça-feira
TERRA SEM PÃO, de Luís Buñuel, 1932
Documentário que reflete profundas preocupações sociais e retrata a pobreza do povoado espanhol de Las Hurdes.
LA TERRA TREMA, de Luchino Visconti, 1948
O filme expõe com vigor neorealista aspectos da proletariedade de trabalhadores do mar, pescadores da cidade de Acitrezza, litoral da Sicília (Itália), uma das regiões mais pobres do País.
 
16/05, quinta-feira
OS COMPANHEIROS, de Mario Monicelli, 1963
Comédia muitíssimo bem construída que emociona pela simplicidade com que mostra a vida dos operários em luta por uma vida digna e por uma sociedade justa.
 
21/05, terça-feira
A GREVE, de Sergei Eisenstein, 1925
A Greve é uma visionária experimentação de manipulação de imagens. O filme recria brilhantemente a greve que ocorreu em 1912 na Rússia tzarista, num conflito entre operários e polícia.
DEBATE Após a exibição do filme será realizado um debate com Dr. Giovanni Alves, professor da UNESP de Marília e coordenador geral do projeto Tela Crítica.
 
23/05, quinta-feira
A CLASSE OPERÁRIA VAI AO PARAÍSO, de Elio Petri, 1971
O filme é uma obra do cinema político italiano que trata de conflitos, ilusões e realidades estampadas nas ruas, fábricas e escolas de qualquer tempo.
 
28/05, terça-feira
LA PATAGÔNIA REBELDE, de Héctor Olivera, 1974
A obra retrata o anarco-sindicalismo da Patagônia no início do séc. XX
 
30/05, quinta-feira
ACTAS DE MARUSIA, de Miguel Littín, 1975
O longa-metragem descreve a história real acontecida no Chile em 1907 quando mineiros da província Marusia entram em greve em protesto às péssimas condições de trabalho e desencadeiam um movimento de grande força e importância que provocou a intervenção do exército chileno e um posterior massacre.
 
 

2 comentários:

  1. Caro, estamos lendo seu diário. Saiba que mesmo que não tenha comentários nas postagens, elas são lidas e debatidas por outros cineclubes. Teu trabalho não tem sido em vão. É uma verdadeira aula. Abraços!

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  2. Não curto esse tipo de metáfora, mas esse comentário me aquece o coração, me comove. Que o que escrevo sirva para uma discussão cineclubista é tudo que quero. Obrigado.

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