4 – O cineclube batalha – preparando a sessão
Nossa assembléia de
fundação foi na quinta e, por causa da divulgação do Memorial, já tínhamos
sessão marcada na terça seguinte. Marcamos reunião no domingo, que teve quórum
da diretoria mais eu. Vimos que o registro do cineclube iria aguardar um pouco:
calculamos que o custo seria da ordem de 400 reais e ainda não tínhamos nenhum
recurso. Enquanto isso, a secretária da assembléia de fundação está passando a
limpo a ata que será juntada às assinaturas colhidas.
Acertamos a
definição de alguns pontos tratados na assembléia: a taxa de manutenção será de
5 reais e a mensalidade dos sócios de 20 reais, dando direito a 4 entradas e
desconto de 20% em qualquer outra atividade (temos grandes planos). De qualquer
forma, neste primeiro mês exibiremos 8 programas, com duas sessões semanais, às
terças e quintas.
Boletim
Dividimos o
trabalho para a feitura do primeiro boletim: formato ofício dobrado – até por
uma espécie de homenagem saudosa, para lembrar os clássicos boletins de
cineclubes. Acertamos uma introdução de uma página, apresentando o cineclube e
orientando o frequentador sobre como participar, se associar, etc. Escrevi um
texto que introduzia a questão do centenário do cineclubismo e uma nota sobre o
Dia do Público, em memória do 10 de maio de 1849 e o massacre do Astor Place[i].
No estado de São
Paulo existe uma lei que instituiu o Dia do Público e do Cineclubismo. Eu
sempre digo que é meio esquisito – e creio que posso fazer essa afirmação
porque a proposta do Dia do Público, aprovada por federações de cineclubes de
vários pa[ises, é minha: o dia do público deve valorizar o público em geral, de
cinema, teatro, dança, futebol... O cineclubismo é uma gota – ainda que
importante – nesse universo, e não devia se apropriar da data como faz no texto
da lei. E ainda por cima, os eventos do Astor Place aconteceram 50 anos antes
do surgimento do próprio cinema!
As outras páginas
do boletim tinham a programação, com nome do filme, diretor, data e origem,
além de uma curta sinopse. Imprimimos e encadernamos 150 exemplares na
segunda-feira, com a colaboração de sócios que trabalham no Memorial.
Retrospectivamente, posso dizer que acabaram sobrando alguns...
Logotipia
Coloca-se, então, o
problema da identidade visual. O cineclube - todo cineclube, creio – precisa de
uma logotipia que o identifique e marque sua relação com o público. Na minha
experiência isso geralmente acontecia com a identificação de um talento entre
os membros do cineclube. O capixaba Hélio Coelho é um grande nome nessa
tradição: fez o logotipo do Elétrico Cineclube, mas também é o criador da
formiguinha – que foi feita para o CNC comemorar os 60 anos do cineclubismo, em
1988 - que usamos em várias atividades, e da marca da Associação de Cineclubes
de Vila Velha (ES), entre outras. Tremendo artista. O Victor Nosek criou as
peças do Cineclube Bixiga, o Marcos Madalena, incrível ilustrador, deu vida ao
Oscarito e me esqueço do primemiro nome doEpstein, que fazia cartazes muito
legais para o Cineclube Oficina, entidades de que participei.
Nosso secretário, o
Rafael, conhece a coisa, mas não houve ainda tempo para desenvolver essa tal
identidade. Assim, pegamos na rede um
mapa estilizado da América Latina e aplicamos – com letras sugeridas pelo
Rafael – na capa do boletim e também na página do facebook (preparada pela
Mayra), igualmente feita meio às pressas. Mas o problema da identidade, da
logotipia aplicada e identificada com outras peças e atividades ainda está de
pé, irresolvido.
Organização da sessão
Outro tema urgente
era organizar e dividir os trabalhos da
sessão. Já está acertado que o Carlos assume a projeção, e o filho dele vem
ajudar: os dois manjam bastante de tudo referente a equipamento, autoração,
etc. Vamos rodiziar entre os diretores e outros associados cuja presença já
está confirmada as funções de bilheteria e recolha dos “ingressos”.
Como a sala do
cineclube fica num dos extremos do Pavilhão da Criatividade – que é a sede da
exposição permanente de cultura popular latino-americana no Memorial – nossa entrada
corresponde à saída da exposição,
mas ela está fechada nesse horário. A sala de espera do cineclube é uma beleza:
é uma das pontas da exposição, enfeitada com vitrines com peças
belindíssimas... O espaço de projeção é uma espécie de caixa preta, em cuja
parede teremos que em breve colocar nome e marca do cineclube e, na porta de
entrada, um banner com a programação
(mais tarde, na terceira semana, a Adriana preparou dois banners sobre armações que são postas externamente, indicando o
caminho e a entrada do cineclube).
O Frank tem guardados os borderôs
que eram usados na sala Maria Antonia do PopCine, eu os imprimirei. E, como o
Memorial tem um sistema de impressão de ingressos para seus grandes
espetáculos, fornecer um número relativamente pequeno para nós praticamente não
tem custo para eles: assim, nossos ingressos também ficaram bem bacanas. Também
imprimimos uma ficha de associação provisória bem simples.
Os membros do cineclube
procurarão chegar o mais cedo possível, mas abriremos nossa bilheteria (uma
mesinha na entrada) às 19h30 e seremos rigorosos com todos os horários – é importante
para estabelecer o hábito. Às 20h, um ou mais membros do cineclube farão uma
breve apresentação do filme (e, neste começo, do cineclube), de até 10 minutos.
No começo será mais o Frank, e um pouco eu, mais velhuscos. Mas o ideal é que
todos partilhem essa tarefa. Como as sessões são em dias de trabalho e devem
terminar lá pelas 22h ou mais, não haverá debate formal (logo ficará claro que
o debate ocorre de qualquer jeito na saída, mas voltarei a isto).
[i] Outro blog meu: http://felipemacedocineclubes.blogspot.com.br/
tem um texto contando e contextualizando essa efeméride.
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