quinta-feira, 30 de maio de 2013


4 – O cineclube batalha – preparando a sessão
(as inserções são numeradas por ordem de data em que foram escritas)

Nossa assembléia de fundação foi na quinta e, por causa da divulgação do Memorial, já tínhamos sessão marcada na terça seguinte. Marcamos reunião no domingo, que teve quórum da diretoria mais eu. Vimos que o registro do cineclube iria aguardar um pouco: calculamos que o custo seria da ordem de 400 reais e ainda não tínhamos nenhum recurso. Enquanto isso, a secretária da assembléia de fundação está passando a limpo a ata que será juntada às assinaturas colhidas.

Acertamos a definição de alguns pontos tratados na assembléia: a taxa de manutenção será de 5 reais e a mensalidade dos sócios de 20 reais, dando direito a 4 entradas e desconto de 20% em qualquer outra atividade (temos grandes planos). De qualquer forma, neste primeiro mês exibiremos 8 programas, com duas sessões semanais, às terças e quintas.

Boletim

Dividimos o trabalho para a feitura do primeiro boletim: formato ofício dobrado – até por uma espécie de homenagem saudosa, para lembrar os clássicos boletins de cineclubes. Acertamos uma introdução de uma página, apresentando o cineclube e orientando o frequentador sobre como participar, se associar, etc. Escrevi um texto que introduzia a questão do centenário do cineclubismo e uma nota sobre o Dia do Público, em memória do 10 de maio de 1849 e o massacre do Astor Place[i].

No estado de São Paulo existe uma lei que instituiu o Dia do Público e do Cineclubismo. Eu sempre digo que é meio esquisito – e creio que posso fazer essa afirmação porque a proposta do Dia do Público, aprovada por federações de cineclubes de vários pa[ises, é minha: o dia do público deve valorizar o público em geral, de cinema, teatro, dança, futebol... O cineclubismo é uma gota – ainda que importante – nesse universo, e não devia se apropriar da data como faz no texto da lei. E ainda por cima, os eventos do Astor Place aconteceram 50 anos antes do surgimento do próprio cinema!

As outras páginas do boletim tinham a programação, com nome do filme, diretor, data e origem, além de uma curta sinopse. Imprimimos e encadernamos 150 exemplares na segunda-feira, com a colaboração de sócios que trabalham no Memorial. Retrospectivamente, posso dizer que acabaram sobrando alguns...

Logotipia

Coloca-se, então, o problema da identidade visual. O cineclube - todo cineclube, creio – precisa de uma logotipia que o identifique e marque sua relação com o público. Na minha experiência isso geralmente acontecia com a identificação de um talento entre os membros do cineclube. O capixaba Hélio Coelho é um grande nome nessa tradição: fez o logotipo do Elétrico Cineclube, mas também é o criador da formiguinha – que foi feita para o CNC comemorar os 60 anos do cineclubismo, em 1988 - que usamos em várias atividades, e da marca da Associação de Cineclubes de Vila Velha (ES), entre outras. Tremendo artista. O Victor Nosek criou as peças do Cineclube Bixiga, o Marcos Madalena, incrível ilustrador, deu vida ao Oscarito e me esqueço do primemiro nome doEpstein, que fazia cartazes muito legais para o Cineclube Oficina, entidades de que participei.

Nosso secretário, o Rafael, conhece a coisa, mas não houve ainda tempo para desenvolver essa tal identidade. Assim, pegamos na rede um mapa estilizado da América Latina e aplicamos – com letras sugeridas pelo Rafael – na capa do boletim e também na página do facebook (preparada pela Mayra), igualmente feita meio às pressas. Mas o problema da identidade, da logotipia aplicada e identificada com outras peças e atividades ainda está de pé, irresolvido.

Organização da sessão

Outro tema urgente era organizar e dividir  os trabalhos da sessão. Já está acertado que o Carlos assume a projeção, e o filho dele vem ajudar: os dois manjam bastante de tudo referente a equipamento, autoração, etc. Vamos rodiziar entre os diretores e outros associados cuja presença já está confirmada as funções de bilheteria e recolha dos “ingressos”.

Como a sala do cineclube fica num dos extremos do Pavilhão da Criatividade – que é a sede da exposição permanente de cultura popular latino-americana no Memorial – nossa entrada corresponde à saída da exposição, mas ela está fechada nesse horário. A sala de espera do cineclube é uma beleza: é uma das pontas da exposição, enfeitada com vitrines com peças belindíssimas... O espaço de projeção é uma espécie de caixa preta, em cuja parede teremos que em breve colocar nome e marca do cineclube e, na porta de entrada, um banner com a programação (mais tarde, na terceira semana, a Adriana preparou dois banners sobre armações que são postas externamente, indicando o caminho e a entrada do cineclube).

O Frank tem guardados os borderôs que eram usados na sala Maria Antonia do PopCine, eu os imprimirei. E, como o Memorial tem um sistema de impressão de ingressos para seus grandes espetáculos, fornecer um número relativamente pequeno para nós praticamente não tem custo para eles: assim, nossos ingressos também ficaram bem bacanas. Também imprimimos uma ficha de associação provisória bem simples.

Os membros do cineclube procurarão chegar o mais cedo possível, mas abriremos nossa bilheteria (uma mesinha na entrada) às 19h30 e seremos rigorosos com todos os horários – é importante para estabelecer o hábito. Às 20h, um ou mais membros do cineclube farão uma breve apresentação do filme (e, neste começo, do cineclube), de até 10 minutos. No começo será mais o Frank, e um pouco eu, mais velhuscos. Mas o ideal é que todos partilhem essa tarefa. Como as sessões são em dias de trabalho e devem terminar lá pelas 22h ou mais, não haverá debate formal (logo ficará claro que o debate ocorre de qualquer jeito na saída, mas voltarei a isto).

 


[i] Outro blog meu: http://felipemacedocineclubes.blogspot.com.br/ tem um texto contando e contextualizando essa efeméride.

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